Quatro anos depois de ter feito os primeiros anúncios de introdução de tecnologia na cadeia produtiva de fibras, a Secretaria Estadual de Produção (Sepror) entregou, no sábado, as duas primeiras máquinas que descascam malva e juta para agricultores da comunidade da Ilha do Paratari, em Manacapuru.
Anunciados pelo secretário estadual de Produção e deputado licenciado, Eron Bezerra (PCdoB), como a medida que vai fazer uma revolução no campo, a desfibradeira e a descorticadora encurtam o tempo de extração do produto. Hoje a planta precisa ficar de molho no rio de dez a 20 dias para soltar do caule. Para retirar a fibra o produtor fica com água pela cintura o dia inteiro, exposto a problemas de saúde como reumatismo e picadas de cobras e arraias.
Inventadas pelo torneiro mecânico José Amarante Araújo, 59, com assistência técnica da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), as máquinas foram apresentadas aos produtores rurais durante a caravana do Governo do Amazonas de entrega de implementos agrícolas, na escola André Vidal, em Manacapuru. A descorticadeira retira a fibra do caule. A desfibradeira remove as cascas que encobrem a planta. A capacidade de produção das máquinas é de 300 quilos de fibra por dia. Mais do que o dobro produzido manualmente pelos produtores no sistema rudimentar que chega em média a 120 quilos.
Outras duas unidades dos equipamentos vão ser entregues no próximo final de semana para produtores rurais de Parintins. Se forem aprovadas no teste de campo, serão distribuídas para outras comunidades. “Queremos segurança de que a máquina produz para valer. Já temos encomenda de 100 unidades. Mas só vamos comprar na hora em que essas que serão testadas pelos agricultores comprovarem a eficiência”, disse Eron Bezerra.
Manacapuru é o maior produtor de fibras do Brasil. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município foi responsável por 4.869 toneladas de um total de 13.429 toneladas produzidas pelo País em 2008. Desse total, 94% correspondem a produção de malva e 6% de juta. Nessa safra, o Amazonas registrou 11.598 toneladas. O Pará colheu apenas 1.831 toneladas.
A safra de 2009 caiu para pouco mais de 6 mil toneladas como resultado dos prejuízos causados pela enchente recorde do rio Solimões. Estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento mostram que a indústria brasileira, principalmente a de sacaria para embalagem de grãos de café, consome 20 mil toneladas dessa fibra vegetal por ano, o que dá segurança para a ampliação da área cultivada no Amazonas.
Aristide Furtado
Especial para A CRÍTICA